Textos

A animação colaborativa

 Esta semana o Estado de São Paulo publicou no caderno Link uma matéria sobre um curta animação feito através de um software de licença aberta que obteve sucesso depois de ser baixado por dois milhões de pessoas via Internet. Basicamente o objetivo do curta era a criação de um software de animação em 3D que fosse possível criar ambientes tão bons quanto os de famosas animações de cinema de uma maneira que fosse simples de se aprender e que todos pudessem colaborar. De acordo com especialistas de ensino na área, o software obtém um resultado positivo com relação aos níveis de detalhes, como na criação de fios de cabelo, gramas, solo, arvores e etc, mas o software responsável pela animação Big Buck Bunny ainda necessita de ser aprendido através de tutoriais mais avançados, pois pessoas mais leigas precisam de mais técnica para realizar um trabalho de qualidade. Para uma visão cinematográfica, isto seria uma forma independente de espectadores poderem interagir entre si na criação de algo com qualidade e distribuir seu resultado para qualquer um pela rede.
 Através do software de código aberto Blender , é necessário apenas que os usuários tenham apenas um simples desktop para realizar um projeto, alem de ter a grande vantagem de compartilhar o trabalho com outras pessoas do mundo que também tem a intenção de produzir animações mesmo não sendo profissionais na área. Para criação de 10 minutos do curta Big Buck , foram necessários apenas 7 pessoas que se destacaram na comunidade em torno deste programa que cada vez mais vem criando novas animações. Talvez a maior preocupação para quem faz parte da criação das animações seja simplesmente aquilo em que o software não consegue alcançar como roteiros e áudio, por exemplo, mas mesmo assim já é um grande avanço para explorar novos conceitos de colaboração 2.0 em que este projeto proporciona.
 A evolução da tecnologia também focada ao cinema proporcionando a criação de formas alternativas de entretenimento também faz nos pensar sobre o futuro da industria cinematográfica e sua a preocupação com relação a isto seja importante para sua sobrevivência assim como empresas de software ou de musica que hoje enfrentam com a Internet na distribuição de novas mídias ou até mesmo na criação de novas soluções melhores do que já existem hoje. Mesmo que isso não seja um fato preocupante no momento, quem tem a ganhar é o próprio espectador que tem pelo lado da indústria com novos produtos de qualidade como Wall.e da Pixar e Fung fu Panda da Dreamworks e também no mundo periférico a espera de ser descoberto como Big Buck Bunny e Elephants Dream.


Links:

Baixe o Software Blender e Tutoriais para criação de animações 3-D

Site oficial do Curta Big Buck Bunny

Cinematerapia

A palavra terapia vem do grego therapeía , que significa tratamento. O termo tem sido amplamente utilizado: aromaterapia, musicoterapia, terapia com cristais, psicoterapia e assim por diante. Portanto me parece absolutamente válida a idéia de uma “cinematerapia”, com o mesmo intuito de qualquer outra terapia que é justamente curar.

Remédios, exercícios e técnicas são diariamente utilizados a fim de melhorar a vida do ser humano. Mas há de se notar que todo o remédio mal administrado também pode trazer severas conseqüências. A música é considerada a arte mais pura dentre todas. Uma sinfonia de Beethoven, um noturno de Chopin, uma ária de ópera ou canção de uma banda de rock podem literalmente mudar o estado emocional de uma pessoa. Da mesma maneira, um filme tem grande poder de induzir a certos estados emocionais, e nem sempre os mais saudáveis. Um filme pode ter efeito devastador sobre um espectador desavisado. Na dose errada, aquilo que poderia ser um remédio se torna uma tempestade emocional. E a força das imagens, ligadas à sonoplastia e aos diálogos atinge a todos, em intensidade diferente, mas de uma forma ou de outra existe uma resposta do público.

Existe um consenso no que tange ao malefício dos sentimentos reprimidos, e neste sentido o melhor caminho é liberá-los e assim se ver longe e virtualmente livre deles. Portanto quando alguém procura filmes violentos, ou filmes de ação com cenas de violência, pode estar através destes filmes, se purificando. O filósofo Aristóteles chamava isto de catarse. Na antiguidade grega, este filósofo chegava a recomendar que as pessoas assistissem às tragédias gregas nos teatros, pois quando o público vivenciava todas as dores, sofrimentos e horrores do herói grego, estava também se purgando; liberando suas próprias dores. Então o público saía do teatro aliviado.

Mas o filme pode ser também uma explosão de prazer intenso, que tanto pode estar presente numa comédia ingênua da década de cinqüenta, quanto em filmes como O Senhor dos Anéis ou Batman , e assim por diante. O filme tem ainda a possibilidade de fazer com que o espectador entre em estados alterados, entre em êxtase, possa meditar assistindo-o. Um exemplo deste gênero de filme que nos coloca quase em transe, é a Trilogia QATSI , de Godfrey Reggio, composta por: Koyaanisqatsi, Powaqqatsi, Naqoyqatsi . Outro exemplo é 2001: A Space Odyssey .

Há também filmes que podem causar verdadeiros traumas. Não é raro você ler ou escutar alguém dizer que levou o choque de sua vida ao assistir filmes como: Irreversível, Hannibal Lecter, A Escolha de Sofia, etc. No entanto, aquilo que choca tremendamente um, simplesmente não diz nada ao outro. O que move o ser humano? Por que, depois de tantos anos, as pessoas ainda reagem com horror à cena de Um Cão Andaluz em que Buñuel corta o olho da mulher com uma navalha? Em alguns o horror é intenso, e em outros não há nenhuma reação. Isto faz com que cheguemos à simples conclusão de que nossas lembranças, nosso arquivo pessoal nos faz reagir desta ou daquela forma diante desta ou daquela cena.

Dado filme ou cena específica, ou ainda uma personagem podem ajudar a resolver questões emocionais escondidas, reprimidas e de difícil acesso. Uma cena ou diálogo pode desencadear traumas e também libertar espectadores de repressões com as quais ele vinha lutando. Também podem dar ao espectador verdadeiros momentos de pura iluminação, como se portas trancadas do inconsciente se abrissem; como se amarras se desfizessem. Existe portanto uma liberação. No entanto nossa mente funciona como a memória de um computador. Se você adicionar um arquivo com vírus ao seu computador, ele poderá causar danos à máquina. Da mesma forma se você adicionar imagens destrutivas e perturbadoras ao seu cérebro e não tiver condições de lidar com elas, também pode causar danos a si. A diferença é que um arquivo de computador pode ser deletado, mas uma memória no cérebro nem sempre é esquecida. Portanto é interessante que o espectador seja sempre seletivo, e escolha aquilo que pretende armazenar em sua mente. Não se deixe levar pelo turbilhão de imagens. Escolha apenas aquilo que realmente quer assistir. Imagens cinematográficas têm um poder titânico, e como tal, tanto pode erguer pontes, quanto pode destroçar templos. Neste caso, o templo em questão é a sua mente.

Texto original por: Léo – abril de 2006 (todos os direitos deste texto pertencem ao autor, e não deve ser utilizado ou citado sem sua permissão).

O Cinema Brasileiro

Você certamente já ouviu esta frase: "O cinema brasileiro melhorou muito!".
Alguns acreditam, outros não. Mas de fato, o cinema brasileiro atual nem se compara ao antigo, que infelizmente é o que prevalece na memória de muitas pessoas e impede que elas prestigiem o cinema do próprio país.

Nada tem haver com o passado, tudo melhorou, muita coisa mudou. Os atores, a direção, fotografia, roteiro....
Filmes como "O Homem Que Copiava", "Seja O Que Deus Quiser" e "O Invasor" são provas de como um filme totalmente nacional pode te surpreender com o desenrolar das tramas. Já "Sexo, Amor e Traição" é uma comédia dramática gostosa. Aliás, lembro-me muito bem de uma pessoa me dizer que filme brasileiro só tem isso: sexo, amor e traição. Qual filme não tem? Qual vida não tem?
É uma prova do preconceito dos brasileiros em relação a um produto nacional que, por desconhecerem, falam o que não sabem.
"Cidade de Deus", "Carandiru", "Central do Brasil" foram premiados por quem conhece de cinema. Porque leigos e meros espectadores não podem somente ver, prestigiar?
Atores como Fernanda Montenegro, Malu Mader, Alessandra Negrini e tantos outros trazem um enorme talento para os filmes que fazem e só nos surpreendem com suas atuações.
"Desmundo" é um bom filme dramático; "Belini e a Esfinge" é pra quem gosta de policial; "O Caminho das Nuvens" e "Bicho de Sete Cabeças" são filmes excelentes do nosso cinema.
Mas algo está mundando. "Carandiru" e "Cazuza" estão conseguindo levar muitos brasileiros ao cinema, fazendo-os notar o quanto o cinema nacional evoluiu. Espero que isso não se dê apenas com livros bem vendidos e mitos que viraram filmes.
Outra prova dessa mudança é o "Dia do Cinema Brasileiro", quando filas se tornam quilômétricas, mas faço uma pergunta e acho que sei a resposta: será pelo valor do ingresso ou pelo filme em si?

Claro que é pelo valor, mas é uma chance de fazer o cinema ser descoberto.
Muitos filmes brasileiros ainda estão para chegar. Eu assistirei os que puder e de todas as vezes que eu fui ao cinema ver, poucas vezes saí de lá decepcionado. Os filmes empregam em seu roteiro assuntos tipicamente brasileiros, com situações e estratégias tipicamente brasileiras. Ou seja, reflete o nosso povo.
O que falta no brasileiro é patriotismo, todo brasileiro acha que tudo o que é feito na Brasil não presta. E todo estrangeiro adora coisas feitas no Brasil, incluindo o nosso cinema. Irônico, não?

Por ADM_RJ


Comentários:
O cinema nacional mudou bastante ao decorrer desses anos. Mas infelizmente, o brasileiro ainda barra no quesito de não assistir filme brasileiro, por "achar" que a qualidade não chega aos pés de um filme de Hollywood. E os que pensam assim estão totalmente enganados, pq as produções atuais de filmes feitos por brasileiros está com qualidade de causar inveja em muitos produtores internacionais. 
O que precisamos, nós brasileiros, é apenas acabar com o pré-conceito e dar uma chance para o cinema nacional mostrar o seu talento e que veio para ficar!


Por Priscila

Bilheterias baseadas em livros

É certo que a imaginação é algo incomum entre as pessoas, algo que varia de pessoa para pessoa, algo devido ao ambiente em que a pessoa vive e suas idéias de certo ou errado. Por isso mesmo, o fato de livros de grande sucesso se transformarem em bilheteria não é sempre algo que possa ser considerado unânime no gosto de seus espectadores.
É como se nos fosse entregue a idéia de uma única pessoa (o diretor), obrigando-nos a aceitar aquilo sem nos dar a chance de dizer que certas coisas ficariam melhores do modo como nós imaginamos.
Harry Potter, a Trilogia Senhor dos Anéis podem ser dois filmes que exemplificam como UMA idéia pode agradar unanimemente os espectadores. Talvez pela riqueza de detalhes, pela alta tecnologia utilizada em sua produção ou mesmo pela experiência de seus diretores, estas duas séries de livros são algo que NÃO se pode encaixar no que foi dito anteriormente. Já Carandiru e até mesmo Olga podem se encaixar no que foi descrito. Ambos filmes não foram tão fiéis aos livros, apesar de enormes sucessos de bilheterias.
Paulo Coelho, o autor mais lido do Brasil e o autor brasileiro mais lido do mundo, é contra a filmagem de obras literárias. Exatamente porque fere a imaginação de cada individuo que leu seus livros, visto que na concepção de cada um, o que se imagina é o melhor. Tanto que todas as suas obras, exceto O ALQUIMISTA não podem ser filmados, uma vez que ele é possuidor de seus direitos autorais. Porém, O Alquimista, como todos já devem saber, está para virar filme, com direção de Laurence Fishburn (Trilogia Matrix).
Bem, para encerrar este tema, quero esclarecer que não sou contra esta transição. Ao contrário, acho que é um modo de quem não pôde ler os livros por “n” motivos, têm no cinema a chance de se informar sobre aquilo que muitos só falam. Acho apenas que em certos casos, a imaginação individual é melhor que a “realidade cinematográfica”.
E agora vamos esperar os próximos sucessos literários que chegarão às telonas. É ler, esperar, e assistir!

Por Ademir Jr.

Vampiros no Cinema - Algumas obras de referência

Apesar de uma série de curtas-metragens europeus do início do século passado, o primeiro filme de vampiro realmente importante foi Nosferatu (1922) de F.W. Murnau, um dos principais nomes do expressionismo alemão. A história segue o livro de Bram Stoker (Drácula), com algumas alterações destinadas a contornar problemas de direitos autorais. O nome do Conde passa a ser Orlock e a ação é deslocada no tempo e no espaço, da Inglaterra de 1897 para a Bremem alemã de 1938. Orlock, na figura do ator Max Schereck, não tem nada de sedutor. Um zumbi corcunda, esquelético e careca, com orelhas pontudas e cara de rato, dentes incisivos (e não caninos) afiados, dedos longos e ossudos, e um infernal apetite por aranhas e moscas. Um monstro absolutamente repulsivo e angustiado, condenado a viver do sangue de suas vítimas sem conhecer a morte nem o amor.

No final da década de 30, em uma substituição de última hora no elenco, produtores de um novo filme não tiveram escolha senão a de chamar um ator húngaro, da Broadway, que atuara em uma adaptação do livro de Stoker para os palcos: Bela Lugosi. Ator de formação shakespeariana, ele não só tinha o sotaque húngaro e a postura de nobre europeu, como doou à personagem uma aura sexual dominadora e uma fina ironia. Drácula achara finalmente seu rosto. Lugosi ascendeu à estrela principal do estúdio, repetindo algumas vezes a personagem e tendo como grande sucesso The mark of the vampire ( 1935 ).

Dirigido por Terence Fisher, com Christopher Lee no papel do Conde e Peter Cushing no de Van Helsing, The horror of Drácula ( 1958 ) redefiniu o cinema de vampiro, estabelecendo um estilo que dominaria o mercado até os anos 70. Lentes de contato amarelas e vermelhas acentuavam as feições sobre-humanas, desfiguradas na perseguição de donzelas decotadíssimas ou com camisolas semitransparentes. O sangue não só escorria dos caninos e feridas no pescoço como jorrava quando o Conde tinha o coração atravessado por uma estaca. Sexo e violência garantiam o apelo nas bilheterias. E na memória do público da geração pós-Lugosi, Mr. Lee é que está gravado como o Drácula definitivo.

Apesar de nunca ter gerado um ícone como Bela Lugosi ou Christopher Lee, o filão das vampiras lésbicas ganhou o estímulo necessário com a liberação sexual dos anos 60 e deu à luz dezenas de ressurreições da Condessa Bathory e da Carmilla de Le Fanu, muitas delas atravessando a fronteira do pornô softcore.

Uma outra vertente vampiresca é o da paródia. Muitos filmes foram produzidos no sentido de brincar com os vampiros. Eram gozadores incorrigíveis interessados em extrair até a última gargalhada da exploração erótica do vampiro no cinema. Um dos marcos desta proposta é A dança dos vampiros ( 1967 ). Está longe de ser uma das principais criações de Roman Polanski, mas tem Sharon Tate incendiando a libido coletiva e algumas figuras divertidíssimas como vampiros gay e judeus – contra os quais a cruz não faz efeito.

Depois de uma queda, o gênero voltou a respirar com uma boa aposta em um humor suave do Conde gay interpretado por George Hamilton em Amor à primeira mordida ( 1979 ), que antecipa o sucesso de A hora do espanto ( 1985 ), com Chris Sarandon sendo um vampiro que sai à caça assobiando “Strangers in the night”. Já Os garotos perdidos (1987) de Joel Schumacher atualiza o mito para a geração MTV em grande estilo: pitadas de romance, aventura e rock'n roll. Tudo isso injetando um pouco de Peter Pan e Juventude transviada no espírito vampiresco. Mas o melhor da década está na adaptação de Fome de viver, com David Bowie e Catherine Deneuve fazendo o casal de vampiros mais chique da história. Da abertura, com o grupo Bauhaus tocando “Bela Lugosi's dead” em um nightclub novaiorquino, ao elegantíssimo apuro visual de sua fotografia e cenários, o filme tem todos os elementos para ser considerado um cult.

Nos anos 90, surge a principal adaptação do livro de Bram Stoker dos últimos tempos: Drácula (1992) dirigido magistralmente por Francis Ford Coppola. Na tela grande, o filme evoca uma sensação de um estranho sonho. O diretor criou um filme arrojado, fora dos padrões de Hollywood, a partir de uma determinação tradicionalista: ele só aceitou fazer um Drácula quando lhe foi oferecido um script fiel aos acontecimentos e aos personagens dos escritos de Stoker. Mas no roteiro, temos uma inovação. O objeto de desejo de Drácula, a jovem inglesa Mina, seria uma reencarnação de Elizabetha, 400 anos mais tarde. E a jornada do vampiro resultaria de uma jornada contra o Deus que lhe negou apoio na hora de sua maior necessidade.

Dois anos mais tarde, em 1994, surge outro filme muito esperado: a adaptação de Entrevista com o vampiro para o cinema. Como definiu o diretor Neil Jordan, o filme é a “história de uma família profundamente desajustada: os vampiros Lestat e seu ‘filho/amante' Louis e a ‘filha' destes, a vampira mirim Claudia”. Essa saga de amor e sangue vivida pelos três vem à tona 200 anos depois de seu início em New Orleans, quando Louis decide relembrá-la a um jornalista.

Assim como os vampiros possuem uma sede interminável de sangue, o público tem sede de vampiros. E aguarda outros grandes filmes sobre este personagem tão enigmático e multifacetado.

Por Elidio Jr.