Filmes
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Confiar mostra um dos recentes caminhos em que os adolescentes podem satisfazer sua carência de atenção e acabam sendo prejudicadas em vários sentidos. Muito longe de ser Christiane F. ou Bruna Surfistinha, a jovem protagonista de 13 anos usa suas ferramentas para se encaixar no estilo de vida imposto pelas garotas populares do colégio e encontrar alguém que suporte sua insegurança com toda a atenção e afeto. Enquanto isso, sua perfeita família republicana está ocupada em manter seu padrão social próspero. Não há firewall que proteja o sentimento humano contra gente má intencionada. Este é o ponto principal observado desde o dialogo entre pais preocupados com o alarme de casa, porém a segurança discutida mais a diante está nos meios de comunicação populares capazes de atrair a nova geração de filhos supostamente felizes e bem orientados. Existem dois personagens essenciais no desenrolar da tensa trama. Obviamente, a garota Annie, interpretada por Liana Liberato, é quem conduz com sua ingenuidade cega do primeiro amor o bastante para questionar o moralismo de sua família. Por outro lado, o personagem mais marcante é de seu pai, por Clive Owen, responsável por extrapolar na sua ira ao focar na vingança sem levar em conta os sentimentos das pessoas que estão próximas. Depois de uma considerável fama conquistada ao participar da série Friends por anos, o ator David Schwimmer dirige seu segundo filme para o cinema.Tecnicamente seu trabalho parece ser uma daquelas produções para televisão que geralmente passam aos sábados à noite e sempre tratam dos mesmos temas com pequenas variações. Também segue o mesmo sentido ao limitar-se de algumas cenas que o desclassificaria o entretenimento para toda família. Ao invés disso, outras cenas dramáticas poderiam ser deixadas de lado, como por exemplo, a reação de toda uma escola sobre o fato em questão e as situações inconvenientes geradas pelo próprio FBI. A divulgação brasileira também tem algumas falhas por exibir o nome do filme em branco com o fundo azul no seu pôster. Em nenhum ponto é tratado o tema de rede social, mas sim algumas referências contemporâneas com o uso gadgets da Apple, provavelmente patrocinadora da produção. Uma das coisas que toda a situação abordada faz pensar é como pessoas de má índole conseguiam satisfazer seu prazer antes da era digital, considerando que a pedofilia sempre existiu no mundo. A praticidade de comunicarmos atualmente com novas tecnologias tem seu lado ruim, mas também tem seu lado positivo, assim como tudo na vida. Prova disso está no próprio filme ao exibir os avanços de uma instituição de defesa pública tem para progredir na resolução de seus casos. Logo, o que resta é nos adaptar a estes eventos e criar novas defesas.
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A peça teatral do escritor Beau Willimon cai nas mãos do multitarefa George Clooney para atuar, escrever e dirigir com muita competência uma trama política conduzida pela ambição capaz de superar estrategicamente qualquer valor moral da sociedade norte-americana. Com principal tema voltado à campanha partidária para presidência da republica, cujo processo é um pouco diferente daquele em que estamos acostumados a presenciar por aqui, Tudo Pelo Poder retrata a atuação de um conjunto de profissionais especialistas em fazer de um governador do partido democrático o novo presidente dos Estados Unidos. Entre eles são nada menos que a mídia conservadora responsável por bombardear a população com informação manipulada, senadores com diversos interesses pela causa, jornalistas ansiosos pelo furo mais escandaloso e principalmente os consultores que criam a imagem de um líder com muita verba de seus colaboradores. Apesar de se tratar de uma campanha fictícia em 2008, este filme é lançado num período oportunista em que o país tenta superar a crise econômica e passa pelo mesmo período turbulento de campanha, porém as prévias são do partido republicano, conforme podemos acompanhar seu desenvolvimento até a eleição propriamente dita no final do ano. Com grande evidência que a ficção está próxima à realidade, sabemos que boa parte dos assuntos abordada nele não cabe apenas no setor publico, mas também é observado no restante das corporações. A produção se dedicou o suficiente para contar com um elenco de atores premiados e novos talentos. O melhor exemplo disso é a participação da dupla de consultores interpretada pelo vencedor do Oscar Philip Seymour Hoffman ao lado da estrela em ascensão Ryan Goslyn como protagonista. Ambos têm personagens determinados que gastam toda sua energia para atender seus objetivos, mas que ao longo da história surge uma certa divergência entre seus pontos de vista. Como seu contratante, Cloney é o governador coadjuvante sem necessidade de usar seu poder na direção para beneficiar sua boa imagem de ator já conhecida. Além disso, o especial desta está no simples roteiro composto por tensos diálogos entre estes personagens. É possível que nem todo o público se simpatize pelo ritmo do filme, mas sua linguagem é a peça chave para obrigar a se envolver com maior atenção. A partir daí, é perceptível a carga da responsabilidade em que os membros do estado suportam ao idealizar o “sonho americano” em cenas majestosas. Muitas delas são comícios e entrevistas carregadas de temas relevantes como a economia, religião, aborto, e xenofobia com a intenção de voltar a fazer de seu país ”ofendido” a maior potência mundial. Enfim, todo o contexto deste envolve a luta entre o benefício próprio a qualquer preço contra o velho bom senso humano, dos quais estão presentes em vários eventos de nossa história. Sutilmente o longa provoca nossa consciência ao questionar certas coisas em que acreditamos ser erradas e que a qualquer momento podem ser encobertas por quem tem o poder maior sobre seu povo.
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Com as mesmas características básicas de um filme clássico de ação, a nova missão continua a apresentar cenas inexplicáveis que desafiam as leis da física, quase infinitas lutas colaboradas por dispositivos tecnológicos e impressionantes perseguições de carros, porém com alguns detalhes diferenciados para não ser o mais do mesmo. Todos estes recursos estão ligados a uma história que envolve o velho medo e americano de que os humanos serão extintos por uma guerra nuclear provocada pela Rússia. Apesar de todo o agito, este episódio tem um ponto interessante a ser observado sobre a equipe que suporta o já conhecido líder magistral Ethan Hunt. Contrariando o idealizado, ela demonstra não ser perfeita ao causar vários equívocos durante todo o enredo. Isto mostra um certo tom de humanidade sobre toda a parafernália do suposto dever em salvar o mundo. Ou seja, os personagens são frágeis o suficiente para serem inseguros em momentos vitais podendo até mesmo se descontrolar. Como se trata de uma ficção, muitas vezes destes erros é que se encontra a solução. Tom Cruise usa sua franquia como produtor ao lado de várias feras do mundo holywoodiano para superar os episódios predecessores e reativar sua carreira desconsiderada nos últimos anos.O restante do elenco não tem a sua fama, por enquanto, mas executam bem seu trabalho como pano de fundo para o super protagonista. Para completar seu grupo junto ao veterano personagem de Simon Pegg está o misterioso personagem de Jeremy Renner e o lado feminino muito bem representado por Paula Patton, a bela professora de Preciosa (2009). Além de um vasto grupo de atores gringos, há uma pequena ponta feita por Tom Wilkinson e de recentes estrelas como Josh Holloway do seriado Lost. Os países emergentes também sinalizam sua ascenção em superproduções como esta. Não somente as ruas e monumentos de Moscou são usados em tomadas externas, como também a Índia e claro, Dubai para escalada ao maior prédio do mundo. Os efeitos visuais são de ultima geração, e como o tipo de produção pede, são realistas o melhor possível para garantir o nível de impossibilidade esperado. As questões técnicas também podem ser atentadas nas novas tecnologias usadas, que na sua maioria já se encontram nas mãos dos consumidores, e outras coisas que não estão no alcance assim, como no caso dos super carros da BMW. Ou seja, uma boa oportunidade de mídia para valorizar a marca. Depois de Brian de Palma, John Woo e até mesmo o produtor J.J. Abrams, o longa fica por conta de Brad Bird, do qual não tem tanta experiência em live-action, mas tem seu trabalho em destaque com animações Ratatouille e Up, como também nos primeiros episódios de Os Simpsons . Com objetivo de arrasar o quarteirão, Missão Impossível: Protocolo Fantasma pode ser considerado a melhor opção de ação produzida no ano de 2011. Com certeza é a grande pedida para os fãs saudosistas da famosa série dos anos 70, principalmente porque este está mais focado, mais nem tanto, ao trabalho em equipe para chegar ao mesmo objetivo de salvar o mundo a sua maneira americana. De qualquer forma, vale lembrar de que estamos falando de um filme onde tudo é possível pra impressioná-lo. Por isso, não duvide daquilo que vê, pois esta fórmula dá certo.
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Imagine cada ano de sua vida resumido em apenas um dia do calendário. Esta é a proposta deste longa baseado no recente best-seller do britânico David Nichols, no qual conta o romance entre duas pessoas com personalidades diferentes durante vinte anos do dia 15 de Julho. Mesmo que pense ser muito pouco tempo para desenvolver o a trama sofrida cheia de conflitos, o enredo é capaz de manter o entendimento de sua história linear complementada com alguns feedbacks na sua conclusão. Nada mais é que um destino traçado, porém muitas vezes dividido em dois por sentimentos evitados devido às circunstâncias na vida de cada um. A mesma fórmula "Cinderela", desgastada na maioria dos filmes do gênero, tem de um lado uma garota inteligente, dedicada e desapercebida pelo resto do mundo enquanto do outro há o mocinho bon vivant que a impressiona, mas não a vê da forma que gostaria. Ambos carregam consigo as frustrações por ser quem são enquanto o tempo passa rapidamente até começarem a acreditar no que realmente necessitam para serem felizes sem a ajuda de fada madrinha. A produção aposta no elenco sem tanto estrelato, além da evidência de Anne Hathaway com uma personagem não muito diferente de seus trabalhos anteriores, no entanto, improvisa no sotaque inglês e destaca de sua simples beleza em algumas cenas. Ao seu lado está o ator em ascensão Jim Sturgess, que também atuou como par romântico no musical Across The Universe de 2007, como também no divertido americano Quebrando a Banca. Outra personagem interessante deste está nas mãos de Patricia Clarkson, como mãe protetora e preocupada de um filho fora do seu rumo. Um dos pontos interessantes na produção é a mudança de cada fragmento do ano no visual das personagens ao som de canções caracterizadas pelas épocas e cenários rústicos de interiores mal acabados em Edinburgh e Paris, engolidos pelas angustias e pequenas alegrias do casal. Além das mais diversificadas musicas, os momentos mais dramáticos estão por conta da trilha composta pela experiente Rachel Portman, na sua função de incentivar o clima de cinema clássico em suas melodias. Toda esta composição roteirizada pelo próprio escritor David Nichols foi feita pelos comandos da diretora Lone Wrede Scherfig, logo após chamar a atenção para sua carreira após o sucesso de Educação (2009). Muita coisa no filme pode ser considerada clichê na máxima potência, mas a alternância entre amor e amizade torna o drama ponderado. É claro que todos os filmes do tipo foca na tentativa da felicidade das pessoas. Entretanto, para preencher seu conteúdo estão momentos com o propósito de considerar o que realmente vale se viver, mesmo que existam pequenas distrações no meio do caminho.
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Lanternas Vermelhas é um notável longa chinês com seu tema central no questionamento da tradição oriental que jamais poderá ser quebrada segundo aqueles que fazem parte dela. A poligamia é a forma de viver em “família” para os nobres homens com opções em satisfazer seus prazeres sem considerar os sentimentos de suas esposas enquanto a elas resta disputar entre si suas atenções para garantir uma noite sem solidão. A jovem protagonista interpretada pela bela atriz Li Gong tem o dilema em deixar sua pobre família e a universidade para enfrentar seu casamento “compartilhado” e suportar novas regras até o limite. Confinada a maior parte do tempo dentro de seu quarto, ela tenta se relacionar com suas “irmãs”, porém aos poucos a tentativa se torna um jogo cruel de vaidade e possessão. Elas tornam apenas quatro senhoras providas de culpas e frustrações suficientes para destruir tantos aqueles que estão próximos como a si próprias sem que haja qualquer remorso. A falta de comunicação e a repressão dos sentimentos são vistas como fatores determinantes para que a vida de Songlian, ou melhor, a quarta esposa, seja desfrutada de conforto e riqueza. Porém, vemos que os seres humanos são capazes de acabar com seu semelhante mesmo que não sejam mal-intencionados. Além da trama que deixaria qualquer altruísta em dúvida por julgar seus personagens, o filme tem grande consideração à cultura chinesa muito bem retratada nos conceitos técnicos da direção de arte, figurino de variadas cores e trilha sonora erudita. Para os ocidentais este conjunto de detalhes traz um certo charme dentro de uma grande obra que se difere de qualquer padrão romântico. Os planos externos são contemplados por simples cenários de um casarão rústico que vão desde seu telhado, corredores enfeitados por lanternas e quartos misteriosos. Este longa é o primeiro trabalho do diretor Yimou Zhang a chamar a atenção do ocidente no início dos anos noventa. A partir daí, é possível constatar que ele leva muito em consideração os costumes de seu país e os propaga em outros grandes filmes da década seguinte, dos quais complementa as artes marciais, ação, amor e honra como nos seus destaques bem distribuídos O Clã das Adagas Voadoras e Herói de 2003.
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Uma vida apática sem objetivos concretos é abalada pela morte de um ente querido e por conseqüência isso torna um incentivo para avaliar a maneira de encarar as coisas. Basicamente é assim o primeiro longa metragem escrito e dirigido pelo jovem ator Zack Braff. Ele interpreta seu confuso protagonista Andrew Largeman no momento de voltar a ver o que restou de sua família em New Jersey após passar nove anos tentando uma considerável carreira de ator em Los Angeles. É possível que todo o contexto do filme foi influenciado pela vida pessoal do diretor, porém o mais importante em seu trabalho está na simplicidade da produção e os diálogos geniais que transitam entre o humor sarcástico e o drama introvertido. A partir destes ingredientes, os excêntricos personagens são desenvolvidos para influenciar Largeman em rever seus pontos de vista sobre seus sentimentos encobertos pela sua condição de um filho doente aparado por um pai psiquiatra. Além de Braff, o elenco é composto por ninguém menos de Natalie Portman no período quando começa a chamar a atenção em suas interpretações e Peter Sarsgaard num personagem sem perspectiva, mas que se diverte com a grana que ganha. A adorável personagem de Portman balanceia Largeman com toda sua criatividade e emoção para um possível relacionamento que o deixa muito confuso.Um ponto que também chama a atenção durante todo o longa é a trilha sonora escolhida a dedo formada por gênero alternativo de The Shins, Coldplay, e Iron And Wine. As canções a todo o tempo criam um clima “indie” que complementa as discussões existenciais entre todos eles. Uma produção sem grandes recursos que se baseia na ironia de se viver na sociedade americana, e construída por um ator de série de TV, nos faz refletir em muita coisa. Principalmente nas possibilidades em que seguimos na vida sem olhar para as pessoas que estão em nossa volta, além de reconhecer que o caminho nem sempre está longe daqueles que te querem bem.
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Lá estava a juventude perdida no centro do país quando não se tinha nada pra fazer, porém aproveitaram deste tempo para encontrar uns instrumentos e dizer o que pensavam através da música.O princípio do documentário dirigido por Vladmir Carvalho é mostrar como surgiu as três bandas de rock mais importantes do distrito federal por meio de entrevistas com familiares, jornalistas, textos e fotografias que expressam lembranças na transição dos adolescentes rebeldes para roqueiros na tentativa de encarar a fama. Mesmo com a distância, o grupo de jovens burguês de Brasília é influenciado intensamente pelo punk inglês e usa de seu potencial para reagir a um momento político muito delicado em que o país vivia no início dos anos oitenta. Parentes contam a história de seus filhos transparecendo sua falta de conhecimento do que se passava na época, mas de qualquer forma os consideram com muito orgulho e emoção pelo resultado do que viria ser a tal sucesso nacional. Um pouco dele vem da forma inusitada de seus relacionamentos com a indústria fonográfica e televisão de trinta anos atrás para se progredir ao longo dos anos conquistados. Até mesmo grandes nomes da MPB se surpreendem com esta ideologia que difere qualquer movimento musical anteriore, como pode ser observado nos depoimentos de Caetano Veloso. O líder Renato Russo em pessoa fala de si e de como chegara naquele ponto através dos arquivos gravados pela MTV enquanto seus amigos destacam sua importância na colaboração em suas bandas passando por conflitos pessoais e glórias até seu triste fim. É bem notório que todo seu reconhecimento não cabe a sua pessoa em situações complicadas como da apresentação no estádio Mané Garrincha de sua terra natal. Vladmir aproveita de sua familiaridade em retratar movimentos universitários e políticos de seus trabalhos para complementar em seu propósito o caminho em que os integrantes de Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude seguiram até os dias de hoje. Muito mais que um documentário com detalhes de vidas, este filme trás da memória as lembranças de um bom tempo em que rock brasileiro era importante para seus fãs acima de 30 anos e quem sabe pode ser descoberto pelas novas gerações.
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Não Tenha Medo do Escuro é mais um remake de terror baseado no longa de mesmo nome lançado em 1970 e que mantém a trama tradicional sem modernizá-la totalmente para tempos atuais. Basicamente seu contexto é preenchido por um conjunto de características familiares às direções e produções de Guillermo del Toro para retratar um “conto de fadas” a base de sustos sutis, sem qualquer mistério a ser desvendado, a não ser pelos seus próprios personagens. Sendo assim, é difícil de se encontrar um ponto forte nesta produção para se destacar dentro de todo o legado do gênero. O primeiro nome a ser exibido no elenco é da atriz Katie Holmes, supostamente a estrela do filme, da qual continua a atuar sua típica personagem tímida e insegura como futura esposa do arquiteto dedicado na pele de Guy Pierce. Esse casal é meramente coadjuvante de sua perturbada filha de oito anos com o dever de superar a separação da família e viver em um novo mundo. Como uma versão mirim de Katie, a pequena Sally é responsável por provocar a curiosidade e o desespero dos espectadores dentro de um belo casarão trivialmente mal assombrado. A primeira direção de um longa metragem por Troy Nioxey tem o grande trunfo de sua produção, já que os últimos trabalhos de Del Toro se destacaram por seguir o terror tradicional com uma certa originalidade, porém, isso não é regra para que todos tenham o mesmo prestígio. Mesmo com o medo infantil explorado na escuridão, seu roteiro tem variações que seguem o mesmo tom. Nele se encontra a grande casa com o porão assombrado onde uma carente criança procura por algo que saia da monotonia, mas que depois de um certo tempo encontra o horror de criaturas desconhecidas que sempre estão presas anos em um espaço inacessível ao ser humano até então. Estas monstruosidades só podem ser eliminadas e a vida normalizada se o adulto desconfiar de que há algo errado e começar a desvendar o ocultismo por uma pesquisa na biblioteca. Se nada soa familiar, talvez não tenha visto muitos filmes terror ultimamente. Logo, este será uma boa pedida. Mesmo que o enredo seja todo fantasioso, ainda pode sobrar tempo para um lado filosófico e levar algo de sério para casa. A típica falta de crença dos pais aos seus filhos aterrorizados é estimulada pelo tema contemporâneo da obsessão pelo trabalho e o quanto isso pode afastar as pessoas de suas famílias.
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Logo após uma visão panorâmica pela cidade mais que metropolitana de Chicago, são apresentados os primeiros oito minutos desta trama de ficção cientifica que desafia nosso entendimento sobre o tempo e espaço. Neste primeiro momento, alguns fatos relevantes para seu desfecho são mostrados rapidamente como fragmentos de um quebra-cabeça a ser montado dentro da mente perdida do protagonista. Este é o principio da idéia construída em Código Fonte, ou melhor, o mais recente trabalho de Duncan Jones e estrelado por Jake Gyllenhaal e Michelle Monaghan, Contra o Tempo. A ciência mais uma vez representada pelo futuro tecnológico nas mãos das forças armadas envolve o roteiro do longa ao se apegar em reviravoltas e teorias difíceis de se acreditar, mas que seguem o mesmo padrão das produções deste gênero. O que vemos é um grande programa militar com potencial em salvar vidas, porém com segundo plano menos fantasioso movimentado pela cobiça de lucros e mérito dos que estão envolvidos. Com a repetição do mesmo período, assim como naquele filme Bill Murray só que em menos tempo, temos a explicação dos fatos teoricamente acelerada do qual estamos familiarizados desde o segundo filme de Matrix. A composição do elenco por seus coadjuvantes é formada por uma funcionária dedicada, nem sempre fria e calculista interpretada por Vera Farmiga e Jeffrey Wright, representando o tal cientista, doutor visionário oportunista. As repetidas seqüências ficam por conta de Monaghan no trivial papel da doce donzela que se apaixonar pelo herói Gyllenhaal e sua imagem de capitão traumatizado pela guerra. Não tão genial como seu primeiro, Lunar de 2009, Jones também utiliza alguns meios para tornar a história interessante com um pouco de mistério causado pela tecnologia. De qualquer forma, existem outros pontos interessantes abordados, como por exemplo, o preconceito do protagonista em perseguir o terrorista responsável pelo incidente através daqueles que se parecem mais com pessoas do oriente médio ou até mesmo da Índia, ao invés de se preocupar com o restante dos passageiros de padrão americano. Mas é claro que temos um momento em que todo o raciocínio lógico é deixado de lado por um pulso sentimental que filosofa o sentido da vida. De toda a parafernália terrorista contra os governos, o que podemos aproveitar é o valor por viver mesmo que o tempo disso seja uma fração de segundos.
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O neo-realismo cinematográfico tem uma grande importância na carreira do diretor italiano Roberto Rossellini ao cumprir sua trilogia da guerra com a apresentação de Alemanha, Ano Zero. Precedido de Roma, Cidade Aberta e Paisà, o terceiro filme segue a mesma característica em retratar a sociedade se reerguer após a segunda guerra mundial com a diferença de localidade em ser gravado na Alemanha, e não no país de origem como os dois primeiros. Além da marcante cenografia de Berlin com sua arquitetura deteriorada durante o período dos ataques, a realidade também esta na atuação do elenco, que como de costume, não tem qualquer experiência em interpretação. Isso não deprecia a qualidade do filme, pelo contrário. É simplesmente a mais próxima noção do estrago social causado, e não apenas o clássico dramático americano da época. Mesmo que as condições dos atores não sejam profissionais, cada um deles exerce muito bem seu complexo personagem na trama de forma autentica sem perder a atenção do público. Principalmente quando o protagonista é nada mais que um garoto com média de 13 anos que está entre as responsabilidades da família e as travessuras juvenis dentro de um ambiente nada convencional. O restante deles desenvolve reflexões paralelas para demonstrar que mesmo em suas condições de sobrevivência, ainda sim continuam a ser e praticar a vida. Dentro de um mesmo cômodo, um enfermo com suas histórias sobre a primeira guerra, um irmão refugiado e uma irmã preocupada com a diversão noturna e seus entes queridos.Do lado de fora estão os trabalhos miseráveis, adolescentes rebeldes e professores pedófilos. O garoto Edmund é o retrato de uma geração espalhada pelo mundo neste período crítico. Rosselini não dá trégua a ele em desenvolver seu sentimento de culpa sobre tudo de ruim que ocorre com a família para coloca-lo num impasse de grande seriedade. É bem notável a maturidade precoce de uma criança ao compreender o que se passa em seu país enquanto joga futebol pelas ruas devastadas.
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