Clássico

Roma, Cidade Aberta (1945)

Rossellini, um dos mais conhecidos diretores representantes do neorealismo cinematográfico, teve seu grande mérito por iniciar sua famosa trilogia da guerra com Roma, Cidade Aberta. Tendo a oportunidade em vista de retratar momentos críticos da sociedade italiana na segunda guerra mundial, ele atua em seu trabalho da maneira mais crua ao representar pontos de vista diferentes por cada pessoa que vivenciou recentemente, na época, o domínio nazista e fascista.
Os espectadores podem perceber que este filme tem grandes características do movimento neorealista italiano, visto também nos primeiros longas feitos por Vittorio De Sica e Luchino Visconti, no revezamento das cenas internas em pobres cômodos e externas gravadas na periferia da cidade deteriorada pelos combates. Suas personagens são representadas por atores sem muita experiência de atuação, porém, este detalhe cria perfeitamente o clima da sociedade em luta para sobreviver o medo e esperançosa pelo fim dos conflitos.
A base do enredo está na escapada dos comunistas do país, mas os detalhes contribuem mais a qualidade da história. Os focos paralelos estão nos conflitos familiares da periferia à procura de resgatar sua vida anterior e superar qualquer obstáculo dos invasores alemães. Além disso, há o papel dos católicos na ajuda para manter o controle da população e a perversidade nazista ao implantar a superioridade da raça ariana. Uma curiosidade sobre este roteiro é a ajuda de Federico Fellini alguns anos antes que começasse a dirigir seus próprios filmes.
Historicamente a trama tem uma grande importância em relatar as atrocidades causadas onde um dia foi considerado o império conquistador do mundo, mas neste momento era dominado pela ditadura de outro país. Talvez nos dias de hoje algumas coisas exibidas não causem tanto impacto como nos anos 40, contudo, é necessário sangue frio para aceitar o tratamento indiferente do exercito aos civis em incríveis cenas. Por fim, temos a conclusão num plano marcante para o cinema com as tristes crianças órfãs voltando para sua enfraquecida mãe Roma.

Alemanha, Ano Zero (1948)

O neo-realismo cinematográfico tem uma grande importância na carreira do diretor italiano Roberto Rossellini ao cumprir sua trilogia da guerra com a apresentação de Alemanha, Ano Zero. Precedido de Roma, Cidade Aberta e Paisà, o terceiro filme segue a mesma característica em retratar a sociedade se reerguer após a segunda guerra mundial com a diferença de localidade em ser gravado na Alemanha, e não no país de origem como os dois primeiros.
Além da marcante cenografia de Berlin com sua arquitetura deteriorada durante o período dos ataques, a realidade também esta na atuação do elenco, que como de costume, não tem qualquer experiência em interpretação. Isso não deprecia a qualidade do filme, pelo contrário. É simplesmente a mais próxima noção do estrago social causado, e não apenas o clássico dramático americano da época.
Mesmo que as condições dos atores não sejam profissionais, cada um deles exerce muito bem seu complexo personagem na trama de forma autentica sem perder a atenção do público. Principalmente quando o protagonista é nada mais que um garoto com média de 13 anos que está entre as responsabilidades da família e as travessuras juvenis dentro de um ambiente nada convencional. O restante deles desenvolve reflexões paralelas para demonstrar que mesmo em suas condições de sobrevivência, ainda sim continuam a ser e praticar a vida. Dentro de um mesmo cômodo, um enfermo com suas histórias sobre a primeira guerra, um irmão refugiado e uma irmã preocupada com a diversão noturna e seus entes queridos.Do lado de fora estão os trabalhos miseráveis, adolescentes rebeldes e professores pedófilos.
O garoto Edmund é o retrato de uma geração espalhada pelo mundo neste período crítico. Rosselini não dá trégua a ele em desenvolver seu sentimento de culpa sobre tudo de ruim que ocorre com a família para coloca-lo num impasse de grande seriedade. É bem notável a maturidade precoce de uma criança ao compreender o que se passa em seu país enquanto joga futebol pelas ruas devastadas.

Festim Diabólico (Rope)

Este longa baseado na peça de Patrick Hamilton é uma das provas mais evidentes de que Alfred Hitchcock é o mestre do suspense. Uma produção que dispensa grandes quantidades recursos em que todas as cenas se passam dentro de um apartamento nova iorquino com apenas oito personagens intrigantes e um cadáver escondido na sala de estar em plena comemoração de uma festa com motivo desconhecido por quase todos. Seu contexto simples torna-se fascinante pela forma em que Hitchcock lida com a interpretação de seus personagens e sua captura, criando impecavelmente um clima de angústia e desespero transmitido com facilidade aos espectadores.
O elenco conta com participação fundamental de James Stewart como um professor filosofia dedicado as suas teorias sobre a superioridade do ser humano em relação à sociedade. Provavelmente sua atuação foi tão interessante que o diretor repetiu seu trabalho em mais dois de seus sucessos Um Corpo que Cai e Janela Indiscreta. Além dele, a mais impressionante interpretação fica por conta de John Dall e seu perverso personagem Brandon. Seu diálogo irônico com ar narcisista é de fazer seu companheiro de crime perder a cabeça por várias vezes e causar a grandes surtos durante o filme. Através das discussões entre os dois, ficamos entre a prática de uma teoria psicótica e a aflição de quem acredita ter feito algo de errado.
O que difere este suspense do que temos nos tempos atuais é sua simplicidade herdada do teatro em manter apenas um posicionamento da câmera que observa os movimentos dos atores e a disposição de objetos em uma forma peculiar como parte da narrativa intrigante. Este jogo de gato e rato é envolvente desde a primeira cena até pontos altos de suspense provocados pela diversão questionável, o medo e a suspeita.

O Sol é Para Todos

Baseado em um dos grandes best-sellers na época, “To Kill a Mockingbird” é um filme que foca em seu ambiente de cidadezinha pacata e o convívio de seus moradores através do ponto de vista de uma criança que aprende que seu mundo não é feito apenas de coisas boas. Um de seus personagens mais ilustres é o advogado Atticus Finch, interpretado otimamente por Gregory Pack, o qual além de simbolizar uma pessoa segura de si e determinada de seus deveres perante sua sociedade, também é um grande exemplo de educação para seus filhos. Além de sua atuação, as crianças também causam boa impressão nos seus primeiros trabalhos de uma infância sulista cheia de ingenuidade e aventuras.
Um pouco diferente do retrato familiar idealista americano, boa parte do que nos é mostrado tem a possibilidade de criar vários questionamentos sobre qual é a situação da família contemporânea independente de onde ela está localizada no mundo a fora. Mesmo que a cada cinco minutos de filme se tenha um tema abordado, o mais enfatizado é o preconceito racial que hoje tentamos eliminar. Nele é possível perceber que mesmo que as pessoas tenham as mesmas condições financeiras e culturais, elas sempre tentam encontrar algo para classifica-las como superiores agindo de forma egoísta e sem respeito.

Bom para: Adoradores de clássicos pós-crise americana

Ladrões de bicicletas

Imagine como seria o mundo logo após uma guerra mundial, mas caso queira ver parte disso de forma cinematográfica, Ladrões de bicicletas poderá te ajuda. Este representa a o lado italiano de uma sociedade que tenta sobreviver de sua miséria onde todos membros da família procuram pela sua única salvação: qualquer emprego que faça se tornar digno de sustentar seus entes queridos de forma honesta. Se compararmos esta representação realizada em 1948, poderemos ver que boa parte do nosso país possui a mesma condição familiar em momentos atuais. Alem disso, uma questão interessante do longa é o questionamento sobre o que os homens são capaz de fazer em momentos de desespero para sua sobrevivência. Quais seriam suas atitudes em uma situação como esta?

Aos poucos outros pontos são exibidos durante esta busca frenética e que constatamos no dia de hoje como as pessoas necessitadas apoiadas pela igreja desde que receba em troca sua devoção e a procura de crenças alternativas. As personagens atuam a moda italiana através do tom da voz e principalmente pela forma de expressar da qual bem conhecemos como parte de sua cultura, mas, além disso, existem cenas em que demonstra a influência americana em um momento pós-guerra como, por exemplo, no momento em que o protagonista Sr. Ricci faz seu trabalho pregando o cartaz de Rita Hayworth (A famosa Gilda que recentemente seria vista nos shows de Michael Jackson) pelos muros no centro da cidade.

Juventude Transviada ( Rebel without a cause )

Crises familiares e problemas sociais é o ponto base do protagonista deste classico que conseguiu muito bem se destacar pelo famoso James Jean, o rebelde sem causa. Para a época, o tema abordado provavelmente foi visto de maneira polemica ao retratar a quais passos estavam andando a juventude americana com ousadia e detalhes, mas com o passar o tempo as coisas continuam a mesma, ou até piores, mas com a sociedade mais conformada em seus erros.

Jules e Jim ( Jules et Jim )

Uma das mais importantes obras de truffaut se deve a um complexo relacionamento entre dois amigo a uma mulher de grande personalidade. As atitudes da bem-amada [em quantidade e não qualidade] são bem independentes e feministas para a época em que o filme é retradado, mesmo dentro da primeira guerra quando os homens assumem seus poderes no exército.

O Violinista do Telhado ( Fiddler on the Roof )

Este musical serve como referência ao conhecimento da cultura judia focado na família de camponeses e de uma pequena sociedade. Muitas situações retratadas junto as canções, dança e costumes são as relações ao confronto da tradição com as mudanças do mundo moderno.

Os Incompreendidos (Les Quatre Cents Coups)

O primeiro de cinco filmes é auto-biografia do famoso diretor Truffaut sobre a infância conturbada de um garoto ao se relacionar com sua família. Sua vida é iniciada entre a educação rígida francesa da época e a falta de interesse e respeito de seus pais, no que resulta em sua rebeldia em busca de liberdade e aventuras.

Janela indiscreta ( Rear Window )

O Suspense de Hitcock mostrado de forma original, pois seu ambiente é focado apenas em uma janela de apartamento direcionada para um bairro pacato de Nova York. Tudo acontece a partir do ponto de vista de uma pessoa que vê as coisas fragmentadas sobre seus visinhos e tenta convencer as pessoas que o visita, alem de nós os espectadores, de que um possível assassinato ocorreu.
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