Filme brasileiro
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É sabido que João Miguel representa um dos atores mais importantes do cinema brasileiro contemporâneo, principalmente neste que é considerado seu melhor trabalho. Apesar de seu personagem ser o básico nordestino de vida sofrida semelhantes a outras atuações, este um forasteiro e cozinheiro capaz de superar sua ignorância para usar seu dom e nos entreter com sua graça e surpresa. O set de filmagem é um pouco diferente do que estamos acostumados com produções regionais ou padrões globais, já que grande parte das áreas abertas se passam pelo centro de Curitiba, apresentando de um lado um fino restaurante familiar e do outro um prostíbulo de rua. De certa forma é isso que nos é bem retratado: o contraste que se mistura da classe miserável que se sobrevive na rua e até mesmo nas cadeias com a alta sociedade vivendo de requintes gastronômicos. O grande trunfo do enredo fica nas mãos de nosso protagonista ingênuo de principio, mas que utiliza suas habilidades para se manter bem em suas situações mesmo que todo o super-homem tenha sua criptonita, ou por melhor dizer, que o médico tenha seu lado de monstro. Nas questões técnicas, é possível de se apreciar o filme que se desenrola em dois tempos que se completam no entendimento de tudo que é aprendido e aplicado pelo nosso surtado aprendiz de cozinheiro.
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O primeiro filme nas mãos de Selton Mello já impressiona pela fotografia na cena de apresentação do ferro-velho onde o protagonista vive seu drama extremamente depressivo com seus fantasmas do passado e reconciliação familiar. No restante do filme, o foco está sempre nos olhares das pessoas e raramente mostra seus perfis. É como se na maior parte das vezes foi aplicada a função de zoom na visão dos espectadores. Além disso, há alguns truques de imagem, principalmente na iluminação em que algumas vezes nem é possível ver exatamente os rostos dos personagens de tão escuro e quadros que se repetem como a cena inicial como conclusão do que há por ocorrer. Feliz natal (por ironia) mostra que nem todas casas estão preenchidas de alegrias com famílias harmoniosas, ou parecem ser desta forma. No roteiro, os diálogos reduzidos estão mais ligados ao cotidiano familiar dos personagens, pois o mais importante está na expressão unicamente de seus sofrimentos. Ninguém se importa com o sentimento alheio, não há consideração para quem viveu toda uma vida ou por alguém que está praticamente começando. As crianças são ignoradas e os mais velhos deixados de lado sem qualquer consideração.
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O contador de histórias é uma simples produção brasileira na parceria de Ramalho Jr. e Denise Fraga, que também mostra ser uma boa figurante, com um ótimo enredo baseado em fatos reais sobre um dos maiores contadores de histórias no mundo Roberto Carlos Ramos. A direção de arte utilizada para representar o final dos anos 70 e inicio dos 80 chama muita a atenção para os ambientes internos das casas com moveis coloridos de época além do figurino exaltado da época, principalmente pelo lado black na hilariante cena do assalto. É claro que todo esse ambiente criado há um grande acompanhante no enredo que é a apresentação da situação social miserável brasileira que mesmo sem muita modificação, tem seus conceitos alterados com o tempo. Quem com sanidade gostaria de colocar o filho na FEBEM hoje em dia? Mas nada como uma história de alguém que conquistou um sonho na vida depois de vários desafios do passado, principalmente quando se é criança. Parabéns Roberto Carlos Ramos e principalmente Margherit por acreditar em você (Atuação ótima da portuguesa, com certeza, Maria de Medeiros).
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