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Tudo Pelo Poder - The Ides of March (2011)

A peça teatral do escritor Beau Willimon cai nas mãos do multitarefa George Clooney para atuar, escrever e dirigir com muita competência uma trama política conduzida pela ambição capaz de superar estrategicamente qualquer valor moral da sociedade norte-americana. Com principal tema voltado à campanha partidária para presidência da republica, cujo processo é um pouco diferente daquele em que estamos acostumados a presenciar por aqui, Tudo Pelo Poder retrata a atuação de um conjunto de profissionais especialistas em fazer de um governador do partido democrático o novo presidente dos Estados Unidos. Entre eles são nada menos que a mídia conservadora responsável por bombardear a população com informação manipulada, senadores com diversos interesses pela causa, jornalistas ansiosos pelo furo mais escandaloso e principalmente os consultores que criam a imagem de um líder com muita verba de seus colaboradores.
Apesar de se tratar de uma campanha fictícia em 2008, este filme é lançado num período oportunista em que o país tenta superar a crise econômica e passa pelo mesmo período turbulento de campanha, porém as prévias são do partido republicano, conforme podemos acompanhar seu desenvolvimento até a eleição propriamente dita no final do ano. Com grande evidência que a ficção está próxima à realidade, sabemos que boa parte dos assuntos abordada nele não cabe apenas no setor publico, mas também é observado no restante das corporações.
A produção se dedicou o suficiente para contar com um elenco de atores premiados e novos talentos. O melhor exemplo disso é a participação da dupla de consultores interpretada pelo vencedor do Oscar Philip Seymour Hoffman ao lado da estrela em ascensão Ryan Goslyn como protagonista. Ambos têm personagens determinados que gastam toda sua energia para atender seus objetivos, mas que ao longo da história surge uma certa divergência entre seus pontos de vista. Como seu contratante, Cloney é o governador coadjuvante sem necessidade de usar seu poder na direção para beneficiar sua boa imagem de ator já conhecida. Além disso, o especial desta está no simples roteiro composto por tensos diálogos entre estes personagens. É possível que nem todo o público se simpatize pelo ritmo do filme, mas sua linguagem é a peça chave para obrigar a se envolver com maior atenção. A partir daí, é perceptível a carga da responsabilidade em que os membros do estado suportam ao idealizar o “sonho americano” em cenas majestosas. Muitas delas são comícios e entrevistas carregadas de temas relevantes como a economia, religião, aborto, e xenofobia com a intenção de voltar a fazer de seu país ”ofendido” a maior potência mundial.
Enfim, todo o contexto deste envolve a luta entre o benefício próprio a qualquer preço contra o velho bom senso humano, dos quais estão presentes em vários eventos de nossa história. Sutilmente o longa provoca nossa consciência ao questionar certas coisas em que acreditamos ser erradas e que a qualquer momento podem ser encobertas por quem tem o poder maior sobre seu povo.

Missão: Impossível - Protocolo Fantasma (2011)

Com as mesmas características básicas de um filme clássico de ação, a nova missão continua a apresentar cenas inexplicáveis que desafiam as leis da física, quase infinitas lutas colaboradas por dispositivos tecnológicos e impressionantes perseguições de carros, porém com alguns detalhes diferenciados para não ser o mais do mesmo. Todos estes recursos estão ligados a uma história que envolve o velho medo e americano de que os humanos serão extintos por uma guerra nuclear provocada pela Rússia.
Apesar de todo o agito, este episódio tem um ponto interessante a ser observado sobre a equipe que suporta o já conhecido líder magistral Ethan Hunt. Contrariando o idealizado, ela demonstra não ser perfeita ao causar vários equívocos durante todo o enredo. Isto mostra um certo tom de humanidade sobre toda a parafernália do suposto dever em salvar o mundo. Ou seja, os personagens são frágeis o suficiente para serem inseguros em momentos vitais podendo até mesmo se descontrolar. Como se trata de uma ficção, muitas vezes destes erros é que se encontra a solução.
Tom Cruise usa sua franquia como produtor ao lado de várias feras do mundo holywoodiano para superar os episódios predecessores e reativar sua carreira desconsiderada nos últimos anos.O restante do elenco não tem a sua fama, por enquanto, mas executam bem seu trabalho como pano de fundo para o super protagonista. Para completar seu grupo junto ao veterano personagem de Simon Pegg está o misterioso personagem de Jeremy Renner e o lado feminino muito bem representado por Paula Patton, a bela professora de Preciosa (2009). Além de um vasto grupo de atores gringos, há uma pequena ponta feita por Tom Wilkinson e de recentes estrelas como Josh Holloway do seriado Lost.
Os países emergentes também sinalizam sua ascenção em superproduções como esta. Não somente as ruas e monumentos de Moscou são usados em tomadas externas, como também a Índia e claro, Dubai para escalada ao maior prédio do mundo. Os efeitos visuais são de ultima geração, e como o tipo de produção pede, são realistas o melhor possível para garantir o nível de impossibilidade esperado. As questões técnicas também podem ser atentadas nas novas tecnologias usadas, que na sua maioria já se encontram nas mãos dos consumidores, e outras coisas que não estão no alcance assim, como no caso dos super carros da BMW. Ou seja, uma boa oportunidade de mídia para valorizar a marca.
Depois de Brian de Palma, John Woo e até mesmo o produtor J.J. Abrams, o longa fica por conta de Brad Bird, do qual não tem tanta experiência em live-action, mas tem seu trabalho em destaque com animações Ratatouille e Up, como também nos primeiros episódios de Os Simpsons .
Com objetivo de arrasar o quarteirão, Missão Impossível: Protocolo Fantasma pode ser considerado a melhor opção de ação produzida no ano de 2011. Com certeza é a grande pedida para os fãs saudosistas da famosa série dos anos 70, principalmente porque este está mais focado, mais nem tanto, ao trabalho em equipe para chegar ao mesmo objetivo de salvar o mundo a sua maneira americana. De qualquer forma, vale lembrar de que estamos falando de um filme onde tudo é possível pra impressioná-lo. Por isso, não duvide daquilo que vê, pois esta fórmula dá certo.

Roma, Cidade Aberta (1945)

Rossellini, um dos mais conhecidos diretores representantes do neorealismo cinematográfico, teve seu grande mérito por iniciar sua famosa trilogia da guerra com Roma, Cidade Aberta. Tendo a oportunidade em vista de retratar momentos críticos da sociedade italiana na segunda guerra mundial, ele atua em seu trabalho da maneira mais crua ao representar pontos de vista diferentes por cada pessoa que vivenciou recentemente, na época, o domínio nazista e fascista.
Os espectadores podem perceber que este filme tem grandes características do movimento neorealista italiano, visto também nos primeiros longas feitos por Vittorio De Sica e Luchino Visconti, no revezamento das cenas internas em pobres cômodos e externas gravadas na periferia da cidade deteriorada pelos combates. Suas personagens são representadas por atores sem muita experiência de atuação, porém, este detalhe cria perfeitamente o clima da sociedade em luta para sobreviver o medo e esperançosa pelo fim dos conflitos.
A base do enredo está na escapada dos comunistas do país, mas os detalhes contribuem mais a qualidade da história. Os focos paralelos estão nos conflitos familiares da periferia à procura de resgatar sua vida anterior e superar qualquer obstáculo dos invasores alemães. Além disso, há o papel dos católicos na ajuda para manter o controle da população e a perversidade nazista ao implantar a superioridade da raça ariana. Uma curiosidade sobre este roteiro é a ajuda de Federico Fellini alguns anos antes que começasse a dirigir seus próprios filmes.
Historicamente a trama tem uma grande importância em relatar as atrocidades causadas onde um dia foi considerado o império conquistador do mundo, mas neste momento era dominado pela ditadura de outro país. Talvez nos dias de hoje algumas coisas exibidas não causem tanto impacto como nos anos 40, contudo, é necessário sangue frio para aceitar o tratamento indiferente do exercito aos civis em incríveis cenas. Por fim, temos a conclusão num plano marcante para o cinema com as tristes crianças órfãs voltando para sua enfraquecida mãe Roma.

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