A peça teatral do escritor Beau Willimon cai nas mãos do multitarefa George Clooney para atuar, escrever e dirigir com muita competência uma trama política conduzida pela ambição capaz de superar estrategicamente qualquer valor moral da sociedade norte-americana. Com principal tema voltado à campanha partidária para presidência da republica, cujo processo é um pouco diferente daquele em que estamos acostumados a presenciar por aqui, Tudo Pelo Poder retrata a atuação de um conjunto de profissionais especialistas em fazer de um governador do partido democrático o novo presidente dos Estados Unidos. Entre eles são nada menos que a mídia conservadora responsável por bombardear a população com informação manipulada, senadores com diversos interesses pela causa, jornalistas ansiosos pelo furo mais escandaloso e principalmente os consultores que criam a imagem de um líder com muita verba de seus colaboradores.
Apesar de se tratar de uma campanha fictícia em 2008, este filme é lançado num período oportunista em que o país tenta superar a crise econômica e passa pelo mesmo período turbulento de campanha, porém as prévias são do partido republicano, conforme podemos acompanhar seu desenvolvimento até a eleição propriamente dita no final do ano. Com grande evidência que a ficção está próxima à realidade, sabemos que boa parte dos assuntos abordada nele não cabe apenas no setor publico, mas também é observado no restante das corporações.
A produção se dedicou o suficiente para contar com um elenco de atores premiados e novos talentos. O melhor exemplo disso é a participação da dupla de consultores interpretada pelo vencedor do Oscar Philip Seymour Hoffman ao lado da estrela em ascensão Ryan Goslyn como protagonista. Ambos têm personagens determinados que gastam toda sua energia para atender seus objetivos, mas que ao longo da história surge uma certa divergência entre seus pontos de vista. Como seu contratante, Cloney é o governador coadjuvante sem necessidade de usar seu poder na direção para beneficiar sua boa imagem de ator já conhecida. Além disso, o especial desta está no simples roteiro composto por tensos diálogos entre estes personagens. É possível que nem todo o público se simpatize pelo ritmo do filme, mas sua linguagem é a peça chave para obrigar a se envolver com maior atenção. A partir daí, é perceptível a carga da responsabilidade em que os membros do estado suportam ao idealizar o “sonho americano” em cenas majestosas. Muitas delas são comícios e entrevistas carregadas de temas relevantes como a economia, religião, aborto, e xenofobia com a intenção de voltar a fazer de seu país ”ofendido” a maior potência mundial.
Enfim, todo o contexto deste envolve a luta entre o benefício próprio a qualquer preço contra o velho bom senso humano, dos quais estão presentes em vários eventos de nossa história. Sutilmente o longa provoca nossa consciência ao questionar certas coisas em que acreditamos ser erradas e que a qualquer momento podem ser encobertas por quem tem o poder maior sobre seu povo.
- Título original: The Ides of March
- Diretor: George Clooney
- País: USA
- Categoria: Drama
- Ano: 2011
- Atores: Ryan Gosling, George Clooney, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Evan Rachel Wood, Marisa Tomei, Jeffrey Wright, Max Minghella, Jennifer Ehle, Gregory Itzin, Michael Mantell, Yuri Sardarov, Bella Ivory, Hayley Meyers, Maya Sayre
- Avaliação: 8.5
- Site oficial: http://www.idesofmarch-movie.com
Sinopse: Um funcionário idealista de um candidato à presidência dos Estados Unidos sofre grande impacto ao descobrir toda a corrupção que existe em Washington.





