Saneamento Básico, O Filme

Um grupo de atores brasileiros talentosos em todas as gerações faz parte desta produção do sul em mais um filme dirigido e roteirizado por Jorge Furtado. Assim como em seus trabalhos anteriores, o mais importante está no roteiro nada convencional com diálogos comuns de forma satírica e ingênua ao invés de uma produção sofisticada. Todo o processo de se criar um filme com baixo orçamento parece ser uma analogia em qualquer coisa referente à política brasileira na sua dificuldade de tornar algo necessário em realidade, mas dar valor as coisas fúteis criadas pela publicidade. Além disso, o filme é capaz de mostrar a cultura de um pequeno pedaço do país em uma vila do rio grande do sul habitada por imigrantes italianos (ouça a grande trilha sonora) e vários questionamentos sobre verbetes da língua portuguesa.

Diretor:  
Jorge Furtado
Categoria:  Comédia
Avaliação: 3  (máx.:4)

Sinopse:
Os moradores da fictícia Linha Cristal, uma pequena vila de descendentes de colonos italianos localizada na Serra Gaúcha, reúnem-se para tomar providências a respeito da construção de uma fossa para o tratamento do esgoto. Eles elegem uma comissão, que é responsável em fazer o pedido junto à sub-prefeitura. A secretária do prefeito reconhece a necessidade da obra, mas informa que não há verba para realizá-la. Entretanto, a prefeitura dispõe de quase R$10.000 para a produção de um filme. Este dinheiro foi dado pelo governo federal e, se não for usado, será devolvido em breve. Surge então a idéia de usar a quantia para realizar a obra e rodar um filme sobre a própria obra. Porém, a retirada da quantia depende da apresentação de um roteiro e de um projeto do filme, além de haver a exigência que ele seja de ficção. Desta forma os moradores se reúnem para elaborar um filme barato, que conta a história de um monstro que vive nas obras de construção de uma fossa.

O filme não ensina. No modelo

O filme não ensina. No modelo democrático, o PODER de fato está no Poder LEGISLATIVO. É ele quem cria as leis e tb a lei orçamentária (no quê, quando e quanto gastar. Quais prioridades da sociedade...). E parece certo porque, em tese, os parlamentares foram eleitos pelo povo e assim estabelecendo o Poder Executivo realizará, tão somente a vontade popular. O que acontece na prática? O Executivo corrempe o Legislativo, oferendo cargos etc, a aí a coisa desanda... O filme, a mim parece, questionar essa virtude "conceitual" do Estado. E o Poder Fiscalizador, mediante os tribunais de contas, é tb do Legislativo. LEI ORÇAMENTÁRIA é uma proteção para que prefeitos, governadores e presidentes, quem têm o caixa do tesouro, não façam tudo ao seu interesse. Depois de aprovada é uma lei, não pode mexer.O Roteiro é ignorante neste ponto. Não ensina, desinforma.

Quem já teve que fazer um

Quem já teve que fazer um projeto às escuras, com certeza vai se identificar com os acontecimentos quase absurdos do filme. Mesmo assim, o filme tem um climazinho tão nostálgico, de interior, de simplicidade. Uma discussão leve e bem humorada sobre arte, o setor público, e, claro, os relacionamentos humanos.

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