Pela segunda vez no ano os estúdios Fox entram moda de voltar ao princípio e resolvem criar a nova versão para uma de suas maiores franquias dos anos 70. Este Planeta dos Macacos parecia desnecessário após seu antecessor dirigido por ninguém menos que Tim Burton, porém é uma idéia que trabalha o prelúdio de formação para o tal planeta misterioso do primeiro filme. Com um contexto que se desprende de seus antecessores, o filme procura acompanhar um protótipo de humano com grande potencial em mudar o mundo e se destaca ao questionar até quando o avanço da humanidade pode ser benéfico para ela mesma.
De uma maneira não tão original, porém sutilmente interessante, o que se vê é uma versão macro do clássico Frankenstein como justificativa ao fim da humanidade. O descontrole de uma experiência cientifica avançada mostra a possibilidade de agregar sentimentos em um simples primata. Logo, a trama se passa no desenvolvimento do amor e amizade e carinho de um projeto vivo que também desencadeia suas ações com raiva, frustração e ganância auxiliada pela infalível inteligência de laboratório.
Composto por diversas referências aos seus predecessores, o roteiro atrai a atenção dos espectadores ao exibir o protagonista Caesar com uma estátua da liberdade de brinquedo, ou lançamento de uma nave espacial para Marte pela TV, e principalmente a formação de um exercito, assim como era, de conselheiros orangotangos e fieis escudeiros gorilas. O “imperador” não herdou seus “olhos claros” somente de experiências químicas, mas também com base ao personagem Taylor, interpretado por Charlton Heston no primeiro longa.
Para apoiar o supremo Caesar, atuado pelo experiente em dar vida a animações, Andy Serkis, o elenco é composto por nomes mais recentemente conhecidos como de Tom Felton e sua variação de Draco Malfoy, mas também dos veteranos John Lithgow e Brian Cox. O insistente cientista Will Rodman por James Franco e a beleza da indiana Freida Pinto formam casal que explora conceitos familiares sem sentimentalismo dramático. Este vem mais na comoção do publico pelo pequeno e indefeso animal órfão, porém, aos poucos, isso modifica no decorrer da trama por revelar que não se trata outra vez da história de Bambi.
Muito mais que atores ou roteiro atrativo, a produção tem o grande trunfo de apresentar uma tecnologia visual que, de certa maneira, garante a atenção sem a necessidade de óculos 3D. Afinal, não é sempre que se vê a expressão humana sobre a face de um chimpanzé de uma forma tão perfeita a ponto de acreditar que este possa ser um homem. Além de enfatizar nos movimentos dos animais, o recurso é bem representado na evolução de Caesar que ao poucos vai se tornando homo sapiens não só pelo raciocino, mas por sua estrutura corporal.
Certamente é com grande satisfação em que o diretor Rupert Wyatt apresenta seu primeiro grande trabalho provando novamente que às vezes reiniciar é uma hipótese de sucesso. De qualquer forma, o que podemos refletir com este filme é a maneira em que tratamos os animais e principalmente a nós mesmos. Talvez a transferência das características humanas para um macaco seja um ato de compreensão para nossos limites perante a uma ameaça. Não somente este como muitos outros filmes ficção, quando bem realizados, são ótimos caminhos para filosofarmos sobre nosso destino.
- Título original: Rise of the Planet of the Apes
- Diretor: Rupert Wyatt
- País: USA
- Categoria: Ficção Científica
- Ano: 2011
- Atores: James Franco, Freida Pinto, John Lithgow, Brian Cox, Tom Felton, David Oyelowo, Tyler Labine, Jamie Harris, David Hewlett, Ty Olsson, Madison Bell, Makena Joy, Kevin O'Grady, Sean Tyson, Jack Kuris
- Avaliação: 8.0
- Site oficial: http://www.apeswillrise.com/
Sinopse: A arrogância do Homem deflagra uma cadeia de acontecimentos que leva os símios a ter um outro tipo de inteligência e a desafiar nosso posto de espécie dominante no planeta. Caesar, o primeiro símio inteligente, é traído pelos humanos e se revolta passando a liderar a incrível corrida de sua espécie rumo à liberdade e ao inevitável confronto com o Homem.






