O longa metragem anual do diretor nova-iorquino Woody Allen novamente mostra sua fase européia ao deixar a beleza de sua cidade natal por nada menos que Paris. Pra completar as instigantes paisagens da cidade luz há a relação de um casal americano na tentativa de apreciá-la a sua maneira. De um lado um escritor maravilhado pelo ambiente enquanto questiona o realismo de seu romance recentemente escrito na transição do presente para sua imaginação idealista. Do outro está sua noiva, uma jovem mimada e insuportável junto com sua família consumista na exploração de lugar onde não vêem menor interesse. Todo o contexto da insatisfação de seu protagonista tem uma alternativa inusitada que ocorre como um passe de mágica a meia-noite numa maneira contrária a já conhecida história de Cinderela.
Mesmo com sua situação pessoal turbulenta nos últimos anos, a oportunidade de se fazer o protagonista Gil a Owen Wilson demonstra dedicação em sua atuação responsável por substituir a personalidade de Allen, ou pelo menos nos seus gestos e maneira de se expressar de forma individualista e irônica. Quem o acompanha, pelo menos no século atual, é Rachel McAdams no papel que contraria qualquer incantável boa mulher de seus personagens anteriores numa ótima substituição da preferência por Scarlett Johansson nos últimos filmes.
Para garantir a atenção de seus fãs, o diretor decide recriar os anos 20 da França com a ajuda fiel dos recursos técnicos (direção de arte, figurino e cenografia) e de personagens caricatos de suas referenciais à arte que vão desde profunda admiração a Ernest Hemingway ao deboche por Salvador Dalí e seus rinocerontes. Este mundo fantasioso de Gil, onde encontra aqueles dos quais sempre foi fã, se assemelha a uma versão masculina ao romantismo de Cecília (Mia Farrow) e sua paixão pela sala de cinema, como refúgio da realidade, em A Rosa Púrpura do Cairo de 1985.
Mesmo que exista uma crítica da sociedade americana dentro de uma cultura européia, é quase que impossível não ter vontade de conhecer Paris depois de todo o cartão postal destacado pelos melhores pontos turísticos da cidade durante a maior parte do longa. Dentro de vários temas interessantes abordados no roteiro, um deles que chama a atenção é a insatisfação de uma pessoa a ponto de acreditar que vive numa época e região onde não acompanha seus pensamentos. Porém, isso talvez seja uma questão de mudar o ponto de vista sobre as coisas e perceber que também nos adaptamos na busca pela felicidade.
- Título original: Meia-Noite em Paris
- Diretor: Woody Allen
- País: USA
- Categoria: Comédia
- Ano: 2011
- Atores: Owen Wilson, Rachel McAdams, Kurt Fuller, Mimi Kennedy, Michael Sheen, Nina Arianda, Carla Bruni, Maurice Sonnenberg, Thierry Hancisse, Guillaume Gouix, Audrey Fleurot, Marie-Sohna Conde, Yves Heck, Alison Pill, Corey Stoll
- Avaliação: 8.0
- Site oficial: http://www.sonyclassics.com/midnightinparis/
Sinopse: Jovem casal americano, cujo casamento está previsto para outono, passa alguns dias em Paris. A magia da capital francesa não tarda a se impor, particularmente no jovem apaixonado pela cidade luz e que aspira uma outra vida bem diferente da sua.






