Segredos nem sempre são eternos - Na categoria de melhor filme do Oscar 2011, as obras trataram de superação ou algum tipo de obsessão, enquanto na categoria de filme estrangeiro o que deu o tom às narrativas foi a violência emocional e/ou física associada a dramas familiares: Biutiful, de Iñarritu, Em um mundo melhor, de Susanne Bier e Incêndios, de Villeneuve são exemplos disso. Que olhar é aquele do menino cuja cabeça está sendo raspada e que insiste em olhar fixamente para a câmera na cena incial, mesmo quando seu “superior” empurra sua cabeça para baixo? A negação da submissão, a intolerância política, talvez a primeira metáfora de Incêndios. Quando Jeanne e Simon são convocados por Lebel para a leitura do testamento da mãe, Nawan Mawruan, descobrem que tem um pai e um meio irmão. A mãe fora uma ativista cristã que lutou contra as atrocidades dos nacionalistas palestinos. O filho quer apenas enterrar sua mãe e Jeanne, sentindo-se culpada por não estar perto da mãe quando esta morreu resolve procurar o irmão desconhecido. Ela parte do Canadá e enfrenta uma via crucis para descobrir o paredeiro do meio irmão no Oriente Médio, mas acaba descobrindo nessa investida quase homérica uma mãe que ela e seu irmão desconheciam. Simon intui que mergulhar nessa busca pode significar reabrir cicatrizes que não foram tratadas; no entanto, refaz sua trajetória de filho e irmão egoísta que vai revelar uma humanidade adormecida para compreender a verdadeira intenção da mãe com as cartas ao pai e ao filho Nihad. O Incêndios do título pode ter duplo sentido: o literal, bombardeios por toda a parte, em ônibus, orfanatos, lugarejos inteiros dizimados durante a guerra na década de 70 em nome da intolerância política, e outro, metafórico, este indicando a verdadeira desconhecida que, quando revelada, “incendeia” a todos com revolta, mágoa, arrependimento, dor. A globalização, ao mesmo tempo que interligou nações e criou dependências políticas e econômicas traz um questionamento sobre identidade, viés explorado por Dennis Villeneuve. Logo no início do filme a cena da piscina abandonada e vazia no Canadá é retomada na piscina do hotel na Palestina, quando Simon e Jeanne nadam convulsivamente e ele se atira caindo em posição fetal, como se aquele espaço fosse o útero materno, um retorno às origens e procurar o Nihad significará isso. O vazio e o abandono, de certa forma, acompanharam a vida dos irmãos Nawruan que conhecem apenas uma “meia história” de suas vidas até descobrirem a outra metade delas. Não há segredos que sejam eternos e seu desvelamento pode ser uma terrível surpresa.
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O filme tem um roteiro
O filme tem um roteiro maravilhoso, com um dos melhores finais que já assisti no cinema.
Na minha opinião, Incendies merecia o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2011. Recomendo a todos!
Crítica de Incendies - http://peliculacriativa.blogspot.com/2011/03/review-incendies-incendios.html