Deitando com o diabo - O filme Bruna surfistinha do cineasta Marcus Baldini está longe de ser uma obra de arte do cinema nacional, entretanto, é possível pinçar alguns lances interessantes nele.Já ouvi os comentários mais variados acerca desse filme, que ele poderia representar o retorno à pornochanchada(?), que seria mais um papel de poposuda/gostosona da atriz Deborah Secco, que a autora do livro Raquel Pacheco estaria sendo oportunista entre tantos outros burburinhos. Confesso que relutei um pouco em assistir Bruna surfistinha, até encontrar com um amigo que estava fissurado para ver e arrastou-me para o cinema. Fosse o que Deus quisesse! A atriz protagonista também está longe de se consagrar com esse papel, mas o grau de desprendimento da atriz para tantas cenas de sexo é louvável, apesar do excesso de clichês contido nelas, alguns até necessário para garantir certo humor à narrativa. Para os desavisados, a certa altura do filme, quando a protagonista se desgarra da cafetina Larissa interpretada pela excelente Drica Moraes, numa grande atuação em que a atriz foge do estereótipo cômico que a TV lhe impôs, deixa entrever que a aquela vida “fácil” é bacana. Esse tipo de escorregadela depõe contra o filme de Baldini. Bruna é fruto típico da sociedade contemporânea: família desestruturada, jovem rejeitada, imediatista, narcísica; a droga como fuga (e aí a ousadia soa como fraqueza), aquela que quer andar com as próprias pernas a qualquer custo. Clichês que, se bem trabalhados, poderiam dar um resultado melhor. A insistência na fala da personagem que não quer depender de ninguém causa uma leve irritação no espectador, no entanto, ela só depende de outros para levar adiante o seu projeto “independência lá vou eu!”. Ela confunde independência com ousadia desmedida que nem sempre andam juntas, tampouco são sinônimas. O personagem de Cássio Gabus sintetiza em uma de suas falas que Bruna “matou” Raquel que dizia não ser amada, ser feia e nerd, atributos esses que eram na verdade a construção do não-eu para a protagonista. Então, ela radicaliza e mergulha no Hades, dá um beijo no diabo e volta sem nenhuma redenção. “Oi, eu sou a Bruna. Pode entrar.” |
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Diretor: Marcus Baldini |
| Sinopse: |
| Raquel (Deborah Secco) era uma jovem da classe média paulistana, que estudava num colégio tradicional da cidade. Um dia ela tomou uma decisão surpreendente: virar garota de programa. Com o codinome de Bruna Surfistinha, Raquel viveu diversas experiências "profissionais" e ganhou destaque nacional ao contar suas aventuras sexuais e afetivas num blog, que depois acabou virando um livro e tornou-se um best seller |
Enviado por: René Wagner de Barros - 14/03/2011
Deitando com o diabo - O filme Bruna surfistinha do cineasta Marcus Baldini está longe de ser uma obra de arte do cinema nacional, entretanto, é possível pinçar alguns lances interessantes nele.






