Os Melhores filmes de 2017

Mais um ano repleto de novos títulos cinematográficos se encerrou com uma série de listas de melhores filmes segundo os mais importantes periódicos pelo mundo. Muitas delas confirmam boa parte das minhas preferências, como também recomendam outras surpresas não conhecidas, sabendo que algumas delas nem passaram por aqui ou foram apresentadas somente em festivais. De qualquer forma, mudando um pouco a idéia do clássico TOP 10, volto a distribuir minha admiração de modesto espectador aos estreantes do circuito nacional em 2017 (ou streaming) com indicações separadas por inusitadas categorias. Assim, posso declarar grande parte dos que valeram a pena passar um par de horas em frente à projeção, além de relatar casuais experiências durante esse período.

Troféu Versão Brasileira

  • Era o Hotel Cambridge (2016) - Eliane Caffé
  • Redemoinho (2016) - José Luiz Villamarim
  • O Filme da Minha Vida (2017) - Selton Mello
  • Como Nossos Pais (2017) - Laís Bodanzky
  • Bingo: O Rei das Manhãs (2017) - Daniel Rezende
  • As Duas Irenes (2017) - Fabio Meira
  • Pendular (2017) - Júlia Murat
  • Corpo Elétrico (2017) - Marcelo Caetano

Apesar da primeira relação ter a mínima chance de estar entre os títulos apontados por new yorkers ou guardians, ainda é a mais importante para nós, cativadores do cinema nacional. O principal homenageado é Era O Hotel Cambridge da diretora Eliane Caffé, por ser um documentário/ficção que se tornou um projeto social depois de retratar o cotidiano de refugiados no centro de São Paulo. O vencedor do Prêmio do Público de melhor filme brasileiro na 40ª Mostra de SP chamou a atenção por apresentar a curiosa existência de uma civilização menor adentro de prédios vazios da cidade, do qual tive a oportunidade de conferir de longe, no Cinema São Luiz de Recife (PE), outra região metropolitana brasileira com questões sociais similares.

Em cartaz no Cine São Luiz - Recife (PE)
Em cartaz no Cine São Luiz - Recife (PE)

Entre outros, temos Bingo, como bom exemplo de biografia popular, quando bem conduzida, pode disputar a audiência com as produções gringas sem seguir o acessível caminho das comédias globais. Não pude esquecer os pequenos prazeres que o cinema proporciona por assistir ao O Filme da Minha Vida de Selton Mello e analisar os passos da atual estrutura familiar pelos olhos de Laís Bodanzky em Como Nossos Pais.

Dois citados, tanto Redemoinho de José Luiz Villamarim, quanto Corpo Elétrico de Marcelo Caetano, dispensam comentários sobre sua importância, já que existem textos exclusivos para ambos, disponíveis aqui no site.

Troféu legendados para América ou World Movies

  • Toni Erdmann (2016) - Maren Ade
  • A Criada (2016) - Ah-ga-ssi - Chan-wook Park
  • Heartstone (2016) - Hjartasteinn - Guðmundur Arnar Guðmundsson
  • Uma Mulher Fantástica (2017) - Una Mujer Fantástica - Sebastián Lelio

Todos os créditos são necessários para os longas que superam a própria língua e contam sua história para outras partes do planeta, principalmente quando se trata do drama familiar alemão Toni Erdmann. Nos mesmos passos de Como Nossos Pais, por um ponto de vista paterno, a aventura de Winfried é um retrato das relações cheias de impasses da vida nos dias de hoje. Mas também tivemos A Criada, uma obra de época intrigante, dirigida pelo sul-coreano Chan-wook Park, com roteiro e direção de arte magnífica. E os romances cada vez mais deixam seus padrões para debater a sociedade por gelados campos da Islândia no adorável Heartstone, como lutar contra o conservadorismo no chileno Uma mulher Fantástica.

Troféu Pesos Pesados, Pipoca e Coca-Cola

  • Blade Runner 2049 (2017) - Dennis Villeneuve
  • Dunkirk (2017) - Christopher Nolan
  • La La Land: Cantando Estações (2016) - Damien Chazelle
  • Em Ritmo de Fuga (2017) - Baby Driver - Edgar Wright
  • Fragmentado (2016) - Split - M. Night Shyamalan
  • Planeta dos Macacos: A Guerra (2017) - War for the Planet of the Apes - Matt Reeves

Quais novos blockbusters, cheios de investimentos de suas produtoras, foram bem sucedidos? Será que eles conseguiram emplacar ou foram prejuízos? Às vezes vale ignorar certas questões da indústria, principalmente se a passionalidade falar mais alto. Exemplo disso é o prazer de prestigiar o universo Blade Runner depois mais de 30 anos do original em tecnologia IMAX. Mesmo provocando a divisão de opiniões, fico do lado de quem concorda com a proeza de Dennis Villeneuve em fazer uma versão à altura de seu antecessor, cujo triunfo também não foi imediato.

Levando em consideração a qualidade técnica de uma boa produção, não posso desprezar a perfeição de Christopher Nolan nas melhores cenas do ano em Dunkirk, tal qual a homenagem à era de ouro hollywoodiana de La La Land. Também há destaque para Baby Driver, o mais divertido dos últimos tempos, e o retorno de Shyamalan no comando de Fragmentado.

Troféu Gloriosos Alternativos

  • Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016) - Barry Jenkins
  • Corra! (2017) - Get Out - Jordan Peele
  • Eu, Daniel Blake (2016) - I, Daniel Blake - Ken Loach
  • Melhores amigos (2016) - Little Men - Ira Sachs
  • Com amor, van Gogh (2017) - Loving Vincent - Dorota Kobiela, Hugh Welchman
  • Mãe! (2017) - Mother! - Darren Aronofsky

Sem a necessidade de futuro distópico repleto de efeitos 3D, perseguições de carros no ritmo da trilha sonora ou um palhaço comedor de criancinhas, os filmes menos sofisticados também têm seus artifícios para conquistar o interesse do público, embora não seja a grande massa. A sensibilidade de Moonlight foi tão notória que chegou a desbancar o trabalho muito bem executado de Damien Chazelle na maior premiação do cinema. Sem falar na ousadia de Jordan Peele ao discutir com criatividade o preconceito contra os negros naquele considerado por muitos um dos melhores filmes de 2017!

Nada melhor do que sentir impressionado ao ver o resultado de todos os fotogramas pintados manualmente a óleo na trajetória da última carta escrita por van Gogh, exercitar a empatia pela sobrevivência de Daniel Blake, ou até mesmo perder o fôlego nas loucuras de Darren Aronofsky.

Troféu os Fantásticos

  • Ghost Story (2017) - David Lowery
  • Personal Shopper (2016) - Olivier Assayas
  • Sete Minutos Depois da Meia-Noite (2016) - A Monster Calls - J.A. Bayona

Sem muito heroísmo, selecionei somente três filmes de fantasia, dos quais possuem uma característica em comum, pois abordam personagens lidando com o sentimento perda, cada um a sua maneira. Assim como Ghost Story, com texto exclusivo aqui no site, Personal Shopper de Olivier Assayas também é uma espécie de pós-terror, cuja trama testa as crenças da protagonista enquanto contesta o hábito moderno do consumo.

Troféu Revival em Tela Grande

  • Hiroshima Meu Amor (1959) - Hiroshima mon amour - Alain Resnais
  • Terra em Transe (1967) - Glauber Rocha
  • Anjos Caídos (1995) - Do lok tin si - Kar-Wai Wong
  • A História Sem Fim (1984) - The Neverending Story - Wolfgang Petersen
  • O Conto da Princesa Kaguya (2013) - Kaguyahime no monogatari - Isao Takahata

A última e mais nova premiação relata a oportunidade de ver clássico numa sala de cinema, de acordo com eventuais exibições em cópias restauradas, 4K ou nostálgico 35 mm. Um desses eventos pontuais possibilitou apreciar a principal obra de Alain Resnais e compará-la com tudo feito até então. Outro acontecimento similar, porém tupiniquim, foi lamentavelmente perceber que o Brasil continua ser o Eldorado concebido por Glauber Rocha na comemoração de 50 anos de Terra em Transe. E, pelos mesmos motivos de confronto à realidade contado na adaptação Sete Minutos Depois da Meia-Noite, mencionada na premiação anterior, voltei a ser a criança ao contemplar a fantasia de A História Sem Fim pela primeira vez em grande tela depois de muitas outras no VHS, DVD e Blu-Ray.

Em cartaz no Cinesesc- A História Sem Fim
Em cartaz no Cinesesc- A História Sem Fim

 

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