Este filme é o próprio “vir a ser”, no sentido de que nele todas as questões são levantadas, de maneira sutil, através de imagens, pouquíssimos diálogos e música. Antes de ser uma aventura no espaço, esta é uma aventura sensorial para o espectador, que senta na poltrona, relaxa as costas e os braços, respira fundo e se deixa levar pela incrível beleza das cenas iniciais, quando a primeira aurora do ser humano traz junto de si as perguntas que até hoje fazemos. Esta forma primeira do ser humano ainda esta tateando nas sombras do tempo, e aprendendo a construir seus instrumentos. Uma cena marcante (entre tantas) é justamente quando essa criatura entende que os ossos de um animal podem servir como arma, e ao final ele arremessa o osso no céu azul profundo. Logo em seguida é cortada para a primeira cena no espaço, tantos milênios depois. O astronauta Dave Bowman (Keir Dullea) tem a missão de estudar o monolito, em Júpiter, e sua nave é controlada por nada menos que Hal: o computador incapaz de errar, pleno de perfeição. Será? Durante a missão, ele começa a se tornar autônomo, e ignorar as ordens de Dave, mostrando um comportamento anômalo. Apenas aquele que assistir a continuação deste filme entenderá os motivos que fizeram Hal agir da maneira que agiu, mas aqui, neste primeiro e monumental clássico do cinema, ele perturba, deixando o espectador desconcertado. Dave se vê diante da urgência de desconectá-lo. Isto fará com que Dave entre em contato com uma realidade que jamais imaginou ser possível. Nos momentos de grande tensão, o medo é percebido apenas através da respiração do astronauta, enquanto é observado durante todo o tempo por Hal. Curiosamente alguns dos diálogos mais memoráveis são justamente de Hal. Não são diálogos transcendentais, mas apenas comuns, no entanto dentro da história são vitais. Eis alguns: “-Esta missão é importante demais para eu permitir que você a atrapalhe.” “-Eu sei que você e Frank estavam planejando me desconectar e eu não posso permitir que isto aconteça.” “-Dave, esta conversa não tem mais sentido. Adeus.” Fica evidente que Hal esta irredutível, pronto a sacrificar a todos em nome de algo que ele chama de “missão”, ainda que Dave não entenda que missão seria esta. Este filme ganhou o Oscar® de melhores efeitos especiais e continua sendo referência para diretores de cinema, assim como é um ícone do século xx. Stanley Kubrick escreveu o roteiro junto com Arthur C. Clarke, e alguns consideram este, o seu maior trabalho cinematográfico. Trata-se de um convite irrecusável, uma possibilidade de sensações que levam ao êxtase. Este é 2001: uma odisséia no espaço. Por Léo - abril de 2006 2001: uma odisséia no espaço País de Origem : Inglaterra Elenco : Keir Dullea, Gary Lockwood Diretor : Stanley Kubrick
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