Baseado na obra de Paul Bowles, o qual provavelmente buscou inspiração no momento de residência em Morrocos, O Céu que nos Protege é mais um destaque das obras dirigidas por Bernardo Bertolucci com a demonstração de seu potencial em retratar locais exóticos como as várias cidades no norte da áfrica explorando suas belas paisagens. Depois de seu grande sucesso O Ultimo Imperador, Bertolucci conduz a viagem de um casal de americanos que vagam pelo deserto do Saara na busca de um sentido de seu relacionamento com muita sensualidade, diálogos sensatos e trilha sonora premiada de Ryuichi Sakamoto e Richard Horowitz. Com relação aos protagonistas, a personagem de Debra Winger demonstra ser uma mulher moderna e independente, mas que desconfia das pessoas em sua volta de acordo com suas teorias e crenças. Já Port Moresby, interpretado por John Malkovich, é o marido que descontente com seu relacionamento, procura de novas possibilidades para manter a união mesmo que isto custe muito caro. Diferente de um drama convencional, as percepções sobre os conflitos são adquiridas aos poucos pelas pequenas discussões entre eles na sua passagem por belas dunas e vilarejos com condição de vida precária . É como se o marido já planejasse seu roteiro para que acontecesse da forma em que nos é apresentado mesmo que seja contra sua própria vontade e a favor de sua dor. Pode-se concluir que as atitudes do casal se resumem no questionamento da dependência afetiva com a exclusividade em sobreviver nas regiões mais atípicas do mundo, cheias de culturas peculiares valorizadas pela maravilhosa fotografia.
Conflitos políticos na visão de uma criança como o tema deste filme não é algo tão inovador como parece ser. Não indo muito longe daqui, Cao Hamburger resolveu criar a história de um garoto deixado de lado pelos seus pais comunistas num período crítico do regime militar nos anos 70. De certa forma, em A Culpa é do Fidel as coisas tendem para o mesmo caminho, até mesmo porque se trata da mesma época, porém neste há um nível de questionamento maior da pequena e mimada Anna ao tentar entender sobre as grandes mudanças de seu mundo. Nas questões históricas, o filme não favorece o lado comunista e muito menos o capitalista, mas de certa forma expõe as características do envolvimento na sociedade francesa e espanhola para cada um deles. É de se impressionar a coletividade dos militantes comunistas na ajuda pela mudança de regime na América do sul e suas interações com pessoas de todos os países. Com todo este processo crônico de lutar pela causa, os pais da protagonista deixam de dar a atenção pelo seu modo de vida antigo e consequentemente seus filhos saem de foco. Logo, Anna tenta entender o movimento por si só, mas o que consegue é apenas a dúvida gerada por pessoas de seu convívio que estão de lados opostos. De qualquer forma, a inteligente garota se habitua em sua nova vida, deixando de lado suas aulas de religião e regalias de classe alta. Vale atentar que este é o primeiro filme da diretora Julie Gavras. Filha de militar, ela provavelmente deve ter usado suas experiências na infância para escrever seu roteiro. Outro ponto interessante é a adorável trilha sonora com melodias compostas pelo israelita Armand Amar.
No princípio tudo parece ser um filme comum sobre a rebeldia adolescente dentro do ambiente escolar que poderia ser influenciado por um professor ansioso em ministrar o curso de anarquia. Porém, o caminho do enredo se altera radicalmente quando o mestre descolado infelizmente é obrigado a dar aulas sobre autocracia. A técnica das imagens, personagens e trilha sonora ligada a bandas rock parece vir de Gus Van Sant na extensão de seus trabalhos de mesmo segmento como "Elefante" e "Paranoid Park". A classe alemã de ensino médio é composta por jovens que interpretam de forma exemplar seus personagens na expressão de seus próprios pontos de vista contra e principalmente a favor as idéias expostas pelo professor. Além de coisas básicas da idade no relacionamento com a família, que por sua vez não servem de bom exemplo, amizades e desafios, seus questionamentos são bem interessantes se comparar à banalidade exposta por longas americanos ou novelas nacionais juvenis. De qualquer forma, é de se impressionar pelo curto espaço de tempo em que a grande maioria se dedica ao projeto “A Onda” considerando que a história foi baseada em fatos reais. Além deste pequeno processo da criação de uma nação fascista, o filme se complementa com conflitos pessoais daqueles que seguem qualquer coisa que venha a cabeça sem levar em conta o que está fazendo. É um momento ótimo para refletirmos sobre qual padrão social é o mais ideal para o bem de todos sem ignorarmos os exemplos que tivemos em nosso passado.
Dois anos após Coppola lançar “O Poderoso Chefão”, ele resolveu escrever e dirigir um grande mistério que não pode ser descartado na lista de seus melhores filmes. Com uma trama bem construída, “A Conversação” retrata um momento em que um competente profissional invasor de privacidade que se envolve nas gravações de seu ultimo trabalho. Interpretado por Gene Hackman, o protagonista vive uma paranóia ao se atentar na conversa de um casal refletindo sobre o quanto ele pode influenciar na vida das pessoas enquanto avalia sua própria solidão. Este processo se estende a fragmentos de imagens, imaginação e diálogos repetidos por várias vezes que o leva a interpretar os fatos como uma conspiração enquanto o nós seguimos a sua linha de raciocínio e nos surpreendemos quando o feitiço é lançado contra o feiticeiro. Um suspense inteligente, psicologicamente intrigante, assim como as obras de Hitchcock, este grande longa é importante para avaliar sobre o lado profissional e sua possibilidade de influenciar a vida particular.